Você já teve a sensação de que está sendo convidado para entrar em uma sala, mas, ao chegar na porta, percebe que ela está trancada por dentro? É exatamente essa a sensação que o Deputado Estadual Lucas Polese compartilhou em suas redes sociais recentemente, ao tentar exercer um de seus papéis mais fundamentais: a fiscalização do dinheiro público.
O cenário desse “mistério digital” é o portal E-Docs, o sistema de gestão de documentos do Governo do Espírito Santo. O objeto da investigação? A obra do Contorno de São Mateus, um projeto que deveria ser motivo de orgulho e clareza, mas que parece estar envolto em camadas de burocracia inacessível.
A “Falsa” Chave do Acesso
Imagine o seguinte: você faz um pedido oficial baseado na Lei de Acesso à Informação — um direito de qualquer cidadão, e um dever de qualquer parlamentar. Dias depois, você recebe uma notificação oficial: “Credenciamento liberado”. Você respira aliviado, pensando que a transparência venceu.
Mas é aí que o labirinto começa.
Ao tentar abrir os documentos — incluindo comprovantes de pagamentos ligados ao diretor do DER-ES — o sistema exibe um aviso seco: “Você não está credenciado para ler o conteúdo desta peça”.
Para Polese, isso não é apenas um erro técnico; é um símbolo de uma “transparência de fachada”. Como pode um sistema dizer que você tem acesso e, no segundo seguinte, bloquear a leitura até de documentos classificados como “organizacionais”, que deveriam ser os mais simples de consultar?
Pode parecer uma briga política distante, mas a verdade é que o Contorno de São Mateus é pago com o seu imposto. Quando um deputado — que tem a prerrogativa constitucional de fiscalizar — encontra dificuldades para ler um PDF sobre pagamentos públicos, o sinal de alerta deve acender para todos nós.
A falta de clareza gera desconfiança. E em um estado onde os princípios de moralidade e impessoalidade devem guiar o serviço público, o “sigilo” injustificado em obras de infraestrutura é um obstáculo para a democracia.
Próximos Passos: Da Tela para a Justiça
Lucas Polese foi enfático: se a porta digital está trancada, ele vai buscar as chaves no Judiciário. O deputado anunciou a entrada de um Mandado de Segurança para garantir o acesso a esses dados. Além disso, o Ministério Público de Contas já está de olho no caso, iniciando uma investigação formal.
A política, muitas vezes, é feita desses embates invisíveis nos bastidores dos portais de transparência. O que Polese denuncia é que o acesso à informação não pode ser um jogo de “esconde-esconde”.
E você, o que acha? A transparência deve ser um livro aberto ou o governo tem o direito de manter “cadeados” em documentos de obras públicas?
Fique atento, pois a fiscalização do seu dinheiro não pode parar em uma mensagem de erro na tela do computador.












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