A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, capturou, no dia 23 de dezembro do ano passado, no município de Governador Valadares (MG), um suspeito de 22 anos apontado como líder do tráfico de drogas no bairro Balneário de Carapebus, na Serra, é investigado por uma série de homicídios marcados pelo uso de armamento pesado e extrema violência. Ele estava evadido do sistema prisional desde fevereiro de 2025.
O investigado é apontado como um dos executores de um duplo homicídio qualificado ocorrido no Balneário de Carapebus, em setembro de 2025, quando o grupo criminoso invadiu a residência das vítimas utilizando fuzis, pistolas, espingarda calibre 12 e uniformes falsos, além de ser suspeito de outros assassinatos e tentativas de homicídio relacionados à disputa entre facções pelo controle do tráfico de drogas na região.
Os detalhes foram repassados em coletiva de imprensa nessa quinta-feira (26), na Chefatura da Polícia Civil, em Vitória.
O chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori, destacou o histórico violento do investigado e a importância da recaptura para a segurança da região.
Segundo o delegado, o suspeito iniciou sua trajetória criminosa ainda na adolescência. “No dia 2 de agosto de 2020, no bairro Jardim Juara, onde ele tinha apenas 17 anos de idade, ele e mais três indivíduos mataram o taxista Rodney. No dia 24 de julho de 2021, no bairro Praia de Carapebus, ele matou o pescador Renato Caetano, que era um homem íntegro, trabalhador e não tinha qualquer envolvimento com atividades ilícitas”, relatou.
O delegado ressaltou que dois dias após o homicídio do pescador, o suspeito foi preso em flagrante e, posteriormente, condenado pelo Tribunal do Júri a 48 anos de reclusão. No entanto, ele fugiu do Centro de Detenção Provisória em fevereiro de 2025.
“Desde então, ele se aliou ao PCV para retomar o controle do tráfico de drogas que havia perdido no bairro Balneário de Carapebus, participando de uma sequência de crimes nos meses de setembro e outubro”, afirmou o delegado.
Após trabalho minucioso de inteligência, a equipe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra localizou o foragido escondido em Governador Valadares. “No dia 23 de dezembro, nos deslocamos até o município e realizamos a prisão, sem que ele oferecesse resistência”, explicou.
O delegado enfatizou o impacto da prisão: “A prisão dele é de suma importância, pois retira o indivíduo de alta periculosidade, desestrutura a hierarquia do tráfico de drogas do bairro Balneário de Carapebus e, consequentemente, retoma a tranquilidade e a paz social dos moradores de bem que vivem ali”.
Sequência de ataques para retomada do tráfico
O adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, delegado Paulo Ricardo Gomes, detalhou a escalada de violência liderada pelo investigado após a fuga.
O delegado explicou que os primeiros ataques ocorreram no início de setembro, quando o suspeito passou a agir diretamente contra integrantes da facção rival. “Ele utilizava uma motocicleta, com um condutor e ele na garupa, se valendo da dissimulação. Em uma das ações, usou uma bag de entrega de lanche para ocultar o armamento e surpreender a vítima”, afirmou, referindo-se ao homicídio ocorrido no dia 11 de setembro.
Dois dias depois, em 13 de setembro, outro ataque foi realizado em uma área de grande circulação de pessoas, nas proximidades de uma distribuidora de bebidas e ponto de ônibus, na Avenida Augusto Ruschi. “O alvo conseguiu fugir, mas pessoas de bem que estavam no local correram na mesma direção e uma delas foi baleada. Só não houve morte porque o fuzil apresentou pane”, destacou o delegado.
A ofensiva criminosa prosseguiu no dia 21 de setembro, quando os suspeitos utilizaram um veículo Volvo branco para patrulhar a região em busca de rivais. A vítima foi atingida por disparos de pistola, mas sobreviveu.
Já na madrugada de 29 de setembro, houve uma ação ainda mais ousada. De acordo com o delegado adjunto, o grupo utilizou camisas com inscrições da Polícia Civil para simular uma operação oficial. “Eles queriam convencer as vítimas a abrir a porta e evitar reação, já que sabiam que havia arma de fogo na residência”, explicou.
Após arrombarem a porta, os criminosos interrogaram os ocupantes e executaram dois alvos dentro da casa. “Um adolescente conseguiu sobreviver ao se esconder no banheiro. A ação tinha como objetivo enviar um recado às facções rivais de que o grupo havia retomado o controle do tráfico local”, contou.
Ataques ordenados à distância
De acordo com o delegado, o adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, delegado Paulo Ricardo Gomes, mesmo após deixar de atuar presencialmente, o investigado continuou determinando ataques por telefone. Em 17 de outubro, ele teria ordenado uma tentativa de homicídio na Avenida Antônio Côrtes, mobilizando atiradores em uma motocicleta e monitorando a ação em tempo real por meio de comparsas.
“Houve perseguição em horário de pico, com intenso fluxo de veículos, colocando em risco diversos moradores. O motorista que socorria a vítima atropelou os atiradores para impedir nova execução”, disse.
Após a recaptura, o suspeito voltou ao sistema prisional. Ainda segundo o delegado, no último dia 16 de fevereiro, foi identificada uma tentativa de fuga na unidade onde ele se encontra custodiado, após policiais penais constatarem danos estruturais na cela, o que foi prontamente contido.
Fonte: Polícia Civil – ES













Deixe um comentário