A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio da Delegacia Especializada de Segurança Patrimonial (DSP), concluiu a investigação de um furto qualificado ocorrido no dia 09 de março de 2024, em um apartamento localizado na Praia da Costa, em Vila Velha, com prejuízo estimado em mais de R$ 700 mil. O crime foi atribuído a uma quadrilha interestadual especializada em furtos a imóveis de alto padrão em diferentes estados brasileiros.
Os detalhes da investigação foram apresentados em coletiva de imprensa realizada nesta quarta-feira (07), na Chefatura da Polícia Civil, em Vitória. Durante as investigações, a DSP identificou as duas mulheres que entraram no condomínio e acessaram o apartamento da vítima, além de outros integrantes do grupo criminoso responsáveis pelo apoio logístico, monitoramento externo e receptação dos bens subtraídos. A Polícia Civil representou pelas prisões dos envolvidos e contou com o apoio da Polícia Civil de São Paulo para mapear a atuação interestadual da quadrilha.
O chefe do Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic), delegado Gabriel Monteiro, destacou o alto grau de organização do grupo criminoso. “Estamos lidando com uma organização criminosa extremamente estruturada, que atua em diversos estados do Brasil. Eles selecionam vítimas de alto poder aquisitivo e utilizam informações obtidas em sites hospedados até fora do País, na Deep Web e Dark Web, contendo dados pessoais, telefones, endereços, informações patrimoniais e até contatos de portarias de condomínios”, explicou o delegado.
Segundo as investigações, o grupo veio ao Espírito Santo dividido em dois casais. Enquanto duas mulheres acessaram o condomínio se passando por familiares de uma moradora, os outros integrantes permaneceram na área externa dando suporte à ação criminosa. “A abordagem deles é sempre baseada em engenharia social. Eles criam situações para convencer funcionários de condomínios a liberarem a entrada. Nesse caso, alegaram que estavam indo visitar uma familiar no apartamento. Houve, de certo modo, uma falha humana na segurança, sem qualquer participação criminosa dos funcionários”, destacou Gabriel Monteiro.
Após confirmarem que não havia ninguém no imóvel, os criminosos arrombaram a porta do apartamento e permaneceram cerca de 20 a 40 minutos no interior da residência, subtraindo joias, dinheiro e outros bens de alto valor. Em seguida, fugiram em um veículo alugado. As investigações avançaram após a localização de um iPod pertencente à vítima, o que permitiu identificar a pousada onde o grupo havia se hospedado na Serra. No local, os policiais conseguiram identificar um dos integrantes, que havia apresentado documento no check-in, além de um número de telefone utilizado na reserva.
Com o compartilhamento de informações entre o Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic) da PCES e o Departamento Especializado de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil de São Paulo, foi possível identificar outros integrantes da quadrilha, incluindo suspeitos já investigados por crimes semelhantes em estados como Paraná e Bahia.
Durante o cumprimento de mandados de busca e prisão, a Polícia Civil de São Paulo apreendeu aparelhos celulares contendo fotografias das investigadas no Espírito Santo, inclusive utilizando as mesmas roupas usadas no dia do crime, além de imagens relacionadas a outros furtos praticados pelo grupo em diferentes estados.
Ao todo, quatro investigados tiveram mandados de prisão preventiva cumpridos. Um quinto integrante, responsável por monitoramento externo durante a ação criminosa, segue sem identificação formal e continua sendo procurado.
O delegado Gabriel Monteiro ressaltou ainda que a quadrilha atua prioritariamente em condomínios de alto padrão e reforçou a importância da adoção de protocolos rígidos de segurança por parte dos empreendimentos residenciais. “A principal orientação é que porteiros e funcionários sempre confirmem diretamente com o morador antes de liberar a entrada de qualquer visitante. Essas organizações exploram justamente falhas humanas e situações de confiança para conseguir acesso aos prédios”, alertou.
As investigações também apontam que o mesmo núcleo criminoso tem ligação com outros furtos registrados recentemente no Espírito Santo, cujos inquéritos seguem em andamento.
Fonte: Polícia Civil – ES











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