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Apartheid de Gênero no Brasil: O “Cheque em Branco” do Senado e a Lei da Misoginia

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A nossa Constituição é clara: todo brasileiro tem o direito de falar o que pensa e ninguém pode ser punido por um crime que não esteja bem explicado na lei. Mas o que o Senado acaba de aprovar sobre a “misoginia” vai contra esses dois pilares. O problema não é querer proteger as mulheres — o problema é que a lei foi escrita de um jeito tão vago que, na prática, ela vira um “cheque em branco” nas mãos de quem tem o poder.

Quando o “mal educado” vira criminoso

Uma lei justa precisa ser objetiva. Você precisa ler e saber exatamente o que pode ou não fazer. Mas essa nova lei fala em “constrangimento por ser mulher”. O problema é: quem decide o que é constrangimento?

Se você fizer uma crítica firme no trabalho, um comentário em uma rede social ou até um meme, isso pode ser interpretado como crime por alguém que não gostou do que ouviu. Veja o que a lei diz:

• Interromper a fala: Cortar a palavra de uma mulher “de forma constante” agora pode ser crime.

• Manipulação psicológica: Tentar fazer a mulher questionar a própria memória ou sanidade.

Onde mora o perigo: Ser rude ou interromper alguém é falta de educação, mas transformar isso em caso de polícia é perigoso. Como a lei não explica o limite, quem decide se você é um criminoso ou apenas alguém em uma discussão acalorada é o juiz ou o delegado da vez. Onde a lei é confusa, o abuso de autoridade vira regra.

Há dois mil anos, o apóstolo Paulo escreveu aos Efésios que “as mulheres sejam submissas a seus maridos”. Esse texto atravessou guerras e séculos sem que nenhum governo tentasse proibir sua leitura. Agora, 67 senadores deram ao Estado o poder de decidir se um trecho da Bíblia é “discurso de ódio” ou não.

Quando entregamos ao governo o direito de interpretar a Palavra de Deus, a nossa liberdade religiosa deixa de ser um direito e vira uma permissão que pode ser cancelada a qualquer momento.

O Peso da Caneta

Não estamos a falar apenas de uma multa ou uma advertência. O castigo é rigoroso e as penas são pesadas:

• Discriminação ou Preconceito: Pena de 1 a 3 anos de prisão e multa.

• Injúria e Ofensa à Honra: Pena de 2 a 5 anos de prisão e multa.

E aqui está o detalhe mais assustador: esse crime não prescreve (não tem prazo de validade) e não permite fiança. Ou seja, você pode ser preso por algo que disse há anos e não tem o direito de pagar para responder ao processo em liberdade. É a punição máxima para um crime baseado em termos que ninguém sabe definir com clareza.

Políticos que sabem do risco, mas votam “sim”

Até a senadora Damares admitiu que o projeto dividiu o país e era polêmico, mas mesmo assim ela votou pelo “sim” a favor. Isso mostra um cenário triste: os políticos ditos “conservadores” reconhecem que a lei é perigosa, mas preferem o aplauso rápido do que proteger a liberdade real das pessoas. O resultado? Menos liberdade para criticar quem governa e mais medo de falar o que se pensa.

A lei também permite que o juiz suspenda suas redes sociais e obrigue você a frequentar “programas de reeducação” antes mesmo de você ser condenado de verdade. Isso lembra regimes autoritários, onde o Estado decide como você deve pensar e te obriga a passar por uma lavagem cerebral se você discordar da cartilha oficial.

Consequência para o futuro: O medo de conviver

A longo prazo, essa lei pode causar um verdadeiro “apartheid de gênero” no Brasil. Com medo de serem processados por uma palavra mal interpretada ou por uma interrupção em uma reunião, muitos homens vão passar a evitar as mulheres.

• No trabalho: Homens podem evitar contratar ou dar mentoria para mulheres para não correr riscos jurídicos.

• Na vida pessoal: As conversas vão ficar mecânicas e artificiais. A confiança dá lugar ao medo.

Em vez de proteger, a lei cria um muro de desconfiança entre os gêneros.

Democracia é conversa, não mordaça

Defender a justiça não é o mesmo que defender o preconceito. Precisamos de leis que punam agressões reais, não leis que criminalizam opiniões e comportamentos subjetivos. Democracia se faz com argumentos e debate livre, não com mordaças e ameaças de prisão para quem não usa as palavras “certas”.

Se não ficarmos alertas, o problema não será mais apenas uma lei mal escrita, mas o fim da nossa liberdade de sermos quem somos, de pregarmos nossa fé e de convivermos em harmonia.

Talvez estejamos caminhando para o cenário descrito em Isaías 13:12: “Farei que o homem seja mais precioso do que o ouro puro, e mais raro do que o ouro fino de Ofir.” Num futuro onde a convivência natural é substituída pelo medo jurídico e pelo isolamento, a figura masculina pode se tornar ausente e “escassa” nos espaços comuns.

Isso se soma à profecia de Isaías 4:1: “E sete mulheres naquele dia pegarão em um homem, dizendo: Nós comeremos do nosso próprio pão, e nos vestiremos do nosso próprio vestuário; tão-somente queremos ser chamadas pelo teu nome; tira o nosso opróbrio (vergonha, vexame).” Quando os laços sociais são quebrados pela força de leis confusas, a busca por proteção e por um nome que traga dignidade torna-se o último refúgio de uma sociedade fragmentada. O alerta foi dado: a conta será muito alta e a mordaça de hoje pode ser a solidão de amanhã.

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Colunista: Miranda é formado em Licenciatura em História, com especializações lato sensu em Educação a Distância, Docência no Ensino Superior, Filosofia e Sociologia. É também discente nas áreas de Estudos Teológicos, História do Cristianismo e Pensamento Cristão. Atua como professor de História, Filosofia e Sociologia na rede particular de ensino. É autor de dois livros, atualmente, é diácono e professor de Escola Bíblica Dominical na Igreja Presbiteriana do Brasil. Além da docência, é colunista de sites, onde escreve sobre temas ligados à fé, cultura, política, história e pensamento cristão.

 


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