Home Economia Conflito no Oriente pode elevar exportações de combustível do Brasil
Economia

Conflito no Oriente pode elevar exportações de combustível do Brasil

Saldo da balança comercial tem recorde em dezembro mas encolhe em 2025

O agravamento das tensões no Oriente Médio pode trazer efeitos mistos para o comércio exterior brasileiro, com possível aumento nas exportações de combustíveis e impacto temporário negativo nas vendas de alimentos. A avaliação é do diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), Herlon Brandão.

Em entrevista nesta quinta-feira (5) para comentar dados da balança comercial, Brandão afirmou que conflitos na região costumam pressionar o preço do petróleo no mercado internacional, o que tende a beneficiar o Brasil, que é exportador líquido do produto.

“O Brasil é um exportador líquido de petróleo e, na medida em que o preço do petróleo suba, o saldo do comércio de combustíveis tende a aumentar”, disse o diretor do Mdic.

Por outro lado, Brandão destacou que países do Oriente Médio são importantes compradores de alimentos brasileiros, como carne de frango, milho, açúcar e produtos halal (produzidos conforme as normas islâmicas).

Segundo o diretor, um eventual impacto negativo nas vendas desses produtos deve ser temporário. “A demanda por alimentos nesses países não vai desaparecer. Os fluxos tendem a se normalizar”, afirmou.

De acordo com dados do Mdic, cerca de 32% das exportações brasileiras de milho têm como destino o Oriente Médio. A participação chega a 30% no caso da carne de aves, 17% para o açúcar e 7% para a carne bovina.

Estados Unidos

Os números da balança comercial também mostram mudanças importantes no comércio do Brasil com os principais parceiros.

As exportações brasileiras para os Estados Unidos somaram US$ 2,523 bilhões em fevereiro, queda de 20,3% em relação ao mesmo mês do ano passado. As importações também recuaram, diminuindo 16,5% e totalizando US$ 2,788 bilhões. Com isso, o saldo comercial com o país foi negativo em US$ 265 milhões.

Esta foi a sétima queda consecutiva nas vendas ao mercado estadunidense, movimento associado à sobretaxa de 50% imposta pelo governo do presidente Donald Trump sobre produtos brasileiros em meados de 2025. No fim de fevereiro, a Corte Suprema dos Estados Unidos derrubou a sobretaxa, mas as repercussões na balança comercial só devem aparecer nos próximos meses.

China

Em direção oposta, as exportações para a China registraram forte crescimento. Em fevereiro, as vendas brasileiras ao país asiático somaram US$ 7,220 bilhões, alta de 38,7% em comparação com os US$ 5,206 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.

Já as importações vindas da China caíram 31,3% no período, totalizando US$ 5,494 bilhões. O resultado foi um superávit de US$ 1,73 bilhão na balança comercial com o país asiático.

Segundo Brandão, um dos fatores que influenciaram os números de importação foi a compra de uma plataforma de petróleo no valor de cerca de US$ 2,5 bilhões. O equipamento foi adquirido da Coreia do Sul, o que também impactou as estatísticas regionais de comércio.

União Europeia e Argentina

As exportações brasileiras para a União Europeia cresceram 34,7% em fevereiro, alcançando US$ 4,232 bilhões. As importações do bloco recuaram 10,8%, para US$ 3,301 bilhões, resultando em superávit de US$ 931 milhões.

No comércio com a Argentina, houve retração tanto nas vendas quanto nas compras. As exportações caíram 26,5%, somando US$ 1,057 bilhão, enquanto as importações recuaram 19,2%, para US$ 850 milhões. Ainda assim, o Brasil registrou superávit de US$ 207 milhões na relação comercial com o país vizinho.

China, Estados Unidos, União Europeia e Argentina estão entre os principais parceiros comerciais do Brasil e influenciam diretamente o desempenho da balança comercial do país.

Fonte: Agência Brasil


Receba notícias do Espírito Santo no canal do Telegram de ES Informações

32px telegram logo.svgENTRAR NO CANAL

Deixe um comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Artigos relacionados

Conferência do Trabalho propõe mais diálogo e modernização produtiva

A declaração final da 2ª Conferência Nacional do Trabalho (CNT), encerrada nesta...

Dólar fecha em R$ 5,28 com preocupações sobre Oriente Médio

Após uma trégua na quarta-feira (4), o mercado financeiro teve uma sessão...

Mulheres são as que mais impulsionar outras carreiras femininas

As mulheres são as principais promotoras do crescimento profissional de outras mulheres,...

Taxa de informalidade cai no mercado de trabalho, mostra IBGE

A taxa de informalidade atingiu no trimestre de novembro de 2025 a...

WhatsApp