O Cenário Turvo da Educação no Espírito Santo
Imagine a cena: você abre o principal portal de notícias do seu estado, encontra uma manchete crítica sobre a gestão pública, mas, ao clicar para ler, a página simplesmente não existe mais. O famoso “Erro 404” aparece no lugar da informação. Foi exatamente esse o ponto de partida do vídeo recente do deputado estadual Lucas Polese, que acende um alerta sobre o que ele chama de “cooptação” da imprensa e má gestão na Secretaria de Educação (SEDU) do Espírito Santo.
O caso do link “desaparecido” no portal A Gazeta — que falava sobre os problemas na volta às aulas — é apenas a ponta do iceberg de uma série de episódios nebulosos que cercam a pasta da Educação sob o comando de Vítor de Ângelo.
O Bilhão que o TCU barrou
Um dos pontos mais sensíveis levantados pelo parlamentar envolve o prato de comida dos alunos. Uma licitação bilionária — nada menos que R$ 1,2 bilhão — destinada à merenda escolar foi travada pelo Tribunal de Contas da União (TCU).
O motivo? Indícios de que o edital teria sido “desenhado” para restringir a competição, favorecendo grupos específicos. Quando o dinheiro público é contado em bilhões, a transparência deveria ser a regra absoluta, mas o que os órgãos de controle encontraram foram sinais de alerta que impediram o prosseguimento do processo.
Não para por aí. Outra licitação, desta vez para a compra de armários escolares, também foi suspensa pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-ES). Novamente, o fantasma do “direcionamento” apareceu: exigências técnicas consideradas ilegais e falta de clareza no julgamento das empresas participantes.
Esses episódios levantam um questionamento legítimo: por que processos tão grandes e importantes para o dia a dia das escolas estão sendo desenhados com tantas falhas apontadas pelos tribunais?
Enquanto os números bilionários tramitam em tribunais, na ponta do sistema, o caos é sentido pelas famílias. Cerca de 2 mil estudantes da rede estadual enfrentaram erros graves no processo de matrícula.
Polese cita casos quase surreais: alunos que moram na Grande Vitória sendo matriculados em escolas da Região Serrana. Para uma família que depende do transporte público ou que organiza sua vida em torno do bairro, um erro desse tipo é devastador e desorganiza toda a rotina doméstica e o aprendizado do jovem.
Gestão Técnica ou Palanque Político?
A crítica final do deputado recai sobre a postura do secretário Vítor de Ângelo. Recentemente filiado ao PSB, mesmo partido do governador, o secretário é acusado por Polese de estar mais focado em sua agenda política e em “fazer campanha” do que em resolver os problemas logísticos e éticos da SEDU.
O cenário descrito é de um estado onde a informação crítica parece ter dificuldade de permanecer no ar e onde as licitações enfrentam barreiras constantes nos órgãos de fiscalização. No fim das contas, quem paga a conta desse “caos” — seja pela falta de transparência ou pelos erros de matrícula — é o cidadão capixaba e, principalmente, o futuro dos seus estudantes.
Este artigo foi baseado nas informações e denúncias veiculadas pelo Deputado Estadual Lucas Polese em suas redes sociais.












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