Uma denúncia grave reacendeu o debate sobre a poluição ambiental no município da Serra, na Grande Vitória. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o deputado estadual Lucas Polese, ao lado do vereador Pastor Dinho, denuncia o despejo contínuo de esgoto sem tratamento nos rios que deságuam nas praias da cidade, especialmente em Jacaraípe, um dos principais balneários do Espírito Santo.
De forma direta, Polese aponta o que chama de uma inversão de responsabilidades: segundo ele, o maior criminoso ambiental da Serra não é o cidadão comum nem o pequeno empresário, mas o próprio Poder Público. “É água preta, cheia de fezes, sendo jogada diariamente nos rios e no mar, enquanto o Estado finge que não vê”, afirma o parlamentar nas imagens.
Ação Popular contra o Estado
Diante da situação, Lucas Polese e Pastor Dinho anunciaram o protocolo de uma Ação Popular com pedido de tutela de urgência, cobrando providências imediatas da Justiça. A ação é direcionada contra quatro entes considerados responsáveis pelo problema:
• Governo do Estado do Espírito Santo;
• CESAN, responsável pelo sistema de água e esgoto;
• Prefeitura Municipal da Serra, encarregada da fiscalização e manutenção urbana;
• Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo.
O objetivo é interromper o despejo irregular de esgoto, responsabilizar os agentes públicos envolvidos e obrigar o poder público a cumprir a legislação ambiental.
Um dos pontos centrais da crítica de Lucas Polese é o que ele chama de hipocrisia estatal. Segundo o deputado, o mesmo Estado que aplica multas severas e até embargos contra produtores rurais, comerciantes ou cidadãos por infrações ambientais pontuais, permite há décadas uma poluição sistemática e em larga escala, sem que haja punições efetivas.
“Quando é o cidadão, a lei é dura. Quando é o governo, tudo vira silêncio e empurração com a barriga”, critica Polese, defendendo que a lei ambiental deve valer para todos, inclusive para o próprio Estado.
A denúncia também chama atenção para os impactos diretos na vida da população. O despejo de esgoto sem tratamento representa um grave risco à saúde pública, com possibilidade de contaminação por bactérias e outros agentes nocivos.
Além disso, a poluição compromete o turismo e a economia local. Comerciantes, ambulantes e trabalhadores que dependem do movimento nas praias relatam prejuízos constantes, enquanto moradores veem o valor de seus imóveis e a qualidade de vida despencarem.
Outro ponto sensível é o prejuízo ao contribuinte. Moradores da Serra pagam taxas elevadas de esgoto, mas, na prática, continuam convivendo com praias frequentemente classificadas como impróprias para banho.
As imagens exibidas no vídeo mostram claramente o deságue de água escura nos rios que cortam Jacaraípe e chegam ao mar, reforçando a denúncia de abandono da bacia hidrográfica local. Para Lucas Polese, o cenário é o retrato de anos de negligência e falta de prioridade com o saneamento básico.
“A população está cansada de promessas. O que queremos é ação, responsabilidade e respeito com quem vive aqui”, afirma o deputado.
A expectativa agora é que o Judiciário analise o pedido de urgência e determine medidas concretas para interromper a poluição, responsabilizar os envolvidos e devolver à população da Serra o direito a um meio ambiente saudável.













Deixe um comentário